Em dos problemas sérios advindos da moda e dos modismos da nossa sociedade, nas últimas décadas, está relacionado diretamente à forma dos nossos corpos. Se analisarmos os padrões de beleza (masculinos, mas principalmente femininos) das últimas décadas, veremos uma transformação radical, onde as mudanças dos parâmetros se antagonizaram. Tínhamos há algumas décadas, por exemplo, o corpo masculino como o Flash Gordon, o Tarzan, o Zorro, ou o Clark Gable. Agora, na geração musculação, temos os Mister Músculos, como o Arnold Schwazneger, o Rock o Lutador, Thor e outros tantos. No caso feminino, tínhamos algumas beldades rechonchudinhas, cheinhas, tais como Marilyn Monroe. Hoje, Gisele Bündchen outras tantas modelos tão magras, inspirando o novo visual a ser seguido pelas mulheres, desde sua adolescência, algumas até meninas. Corpos cada vez mais esbeltos, esguios, definidos, e sem gordura. As duas últimas décadas sendo as mais férteis para as dietas. Dietas já! Malhação então nem se diga. Quase todas já passaram (ou gostariam de ter passado) por uma das milhares de academias de aeróbica, musculação, step, dança, hidroginástica,zumba e um sem números de estilos de exercícios milagrosos, que prometem esculpir os corpos a gosto das freguesas (e dos fregueses também).

Tudo parece ter um preço. Se faz muito importante a noção de que devemos cuidar dos nossos corpos, mantendo-os sempre “fit”, pois estamos vivendo a geração saúde. Nada melhor do que isso. Somos aquilo que comemos. Mas definitivamente sem exageros. Existem estatísticas alarmantes sobre os Transtornos Alimentares. Vejamos alguns dados sobre com o que devemos nos preocupar. Vejamos Anorexia e Bulimia Nervosa.

Os sinais e sintomas as Anorexia Nervosa na adolescência (e também na vida adulta) caracterizam-se pela recusa em manter o peso corporal adequado para idade e altura, apresentando um medo acentuado de ganhar peso, juntamente com uma imagem corporal distorcida. Este transtorno é menos comum na infância, porém pode se apresentar em crianças na sua forma limítrofe (episódios anoréxicos esporádicos ou com menor intensidade). A grande incidência deste transtorno é em mulheres. As estatísticas apontam para 1%, isto é, pelo menos uma em cada 100 mulheres em anorexia. Nem todos os casos recebem o diagnóstico. Os casos limítrofes, por exemplo, não entram nestes 1%. Este transtorno também acomete homens, mas as estatísticas são menores do que as mulheres. Existem os picos de idade para o início do transtorno da Anorexia Nervosa: 14 e 18 anos de idade. O curso desta doença é bem variado, com uma leve tendência à cronicidade (nestes casos não falamos em cura). Existem estatísticas que revelam ser de 10% ou mais o número de mortes em indivíduos com Anorexia Nervosa.

O paciente pode utilizar-se de métodos purgativos (utilização de laxantes, diuréticos, enemas e indução de vômito) na tentativa de reduzir e manter sempre um peso abaixo do esperado para sua idade e altura. Devemos lembrar que no caso do adolescente, ainda em fase de crescimento, deveria estar havendo ganho de peso e altura. As consequências da Anorexia Nervosa e dos métodos purgativos podem ser letais, uma vez que existe perda de eletrólitos, a perda de ácido gástrico, e problemas clínicos com a indução de diarreia. Outras complicações incluem suicídio, inanição, rupturas de esôfago, ruptura gástrica e arritmias cardíacas, além da possibilidade da dependência química com laxantes. Nas adolescentes pós-menarca (após a primeira menstruação) pode ocorrer a suspensão da menstruação (chamada de amenorreia) por vários ciclos consecutivos (três ou mais).

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O maior problema psicológico dos indivíduos com Anorexia Nervosa é a sua imagem corporal. Eles apresentam uma imagem distorcida do peso e da forma do seu corpo, tendendo a acreditar que ainda estão gordos, ou acima do peso em que gostariam de estar. Os modelos de magreza aparecem nas novelas, nos filmes, nos desfiles de moda, e em quase todas as capas de revistas femininas. A maior incidência é de que eles (ou elas) se veem feios e inapropriados com seu peso e sua forma física, e portanto recusam-se em manter o peso ideal, esforçando-se sobremaneira para perder cada vez mais peso. Como dissemos acima, a mídia e algumas tendências da sociedade moderna tem propiciado um aumento no numero de casos de Anorexia Nervosa, uma vez que valoriza os corpos esbeltos e longilíneos, especialmente nas mulheres.
Os sinais e sintomas da Bulimia Nervosa caracterizam-se por períodos onde o paciente (adolescente ou adulto) apresenta uma compulsão para a ingestão de alimentos (hiperfagia), seguidos de métodos para compensar o possível ganho de peso que adveio destes alimentos. Estes métodos purgativos (utilização de laxantes, diuréticos, enemas e indução de vômito) são utilizados na tentativa de não ganhar peso. Além destes métodos, o paciente com Bulimia Nervosa pode apresentar períodos de jejum e exercícios físicos excessivos.

Geralmente os episódios de hiperfagia acontecem secretamente por que o paciente tem vergonha da sua compulsão. Na Bulimia Nervosa o paciente também apresenta uma preocupação exagerada com o peso e a forma do seu corpo, mas é capaz de manter o peso ideal, diferentemente da Anorexia Nervosa onde o indivíduo recusa-se a manter o peso ideal.
Muitas vezes os episódios de compulsão hiperfágica são planejados pelo paciente, e quase sempre apresentam-se numa rápida ingestão de grande quantidade de alimentos. Em geral o paciente só cessa os períodos de compulsão após se sentir fisicamente mal, com dores e desconforto.

A compulsão periódica é geralmente desencadeada em função de um acontecimento na vida do paciente. Variando entre reações a estressores psicossociais, frustrações do dia a dia, e mudanças bruscas de humor (com causa localizável ou não). Frustrações após interrupções de dietas rígidas ou prolongadas, demonstram uma característica do paciente que apresenta sinais e sintomas da Bulimia Nervosa, que é a perda do controle. Existe um sentimento muito intenso de que se vai perder o controle sobre a forma física, e o paciente acredita cegamente que irá engordar, como resultado de tudo o que comeu. Começa então outra aplicação dos métodos purgativos, que provavelmente será acompanhada de outra crise de hiperfagia. Este ciclo parece não ter fim. As estatísticas apontam que 90% dos pacientes com Bulimia Nervosa são do sexo feminino.

Os casos de Anorexia e Bulimia Nervosa apresentam comprometimento físico e psicológico do indivíduo. Uma avaliação por parte do Psicólogo e do Clínico Geral estabelecerá quais os procedimentos a serem tomados, tanto com relação à psicoterapia, quanto à orientação médica-farmacológica. Uma vez que existe risco de suicídio, a família do paciente deverá ser orientada pelo Psicólogo, para o devido acompanhamento na psicoterapia de suporte familiar.

Os sinais e sintomas dos transtornos de alimentação dão claros e óbvios. O que acontece é que a própria família acaba por incentivar (sem saber o risco) o culto de corpos esculturais. É muito importante que o paciente seja avaliado e inicie um processo de psicoterapia, já aos primeiros sinais e sintomas dos transtornos. Existe também uma associação entre a Anorexia e Bulimia, podendo o paciente passar de um transtorno para o outro e vice-versa. Outra característica é que existe uma correlação muito grande entre os transtornos alimentares e os transtornos da personalidade.